12 outubro 2006

Para pensar...

O Estado é como os gases. Quanto mais espaço se lhe dá, mais espaço ele ocupa.
João Cécar das Neves

Dirty Harry

Artigo de Luis Filipe Menezes, publicado hoje, no Correio da Manhã:

Apesar de os resultados da sua governação serem, até agora, medíocres, José Sócrates consegue manter-se com níveis muito significativos de aceitação popular, resultado da sua arte na gestão da comunicação e imagem e no facto de estar permanentemente sozinho no palco.
Assumindo a postura de “one man show”, tão ao gosto do português médio, Sócrates tem sabido condicionar a opinião pública. Sempre da mesma forma, sempre com a mesma eficácia.
Diaboliza os professores, “uns gazeteiros”, e avança com medidas para combater essa “horrível corporação”. Aponta o dedo aos autarcas, “esses despesistas”, e coloca na mesa um novo quadro de financiamento que os mete nos eixos. Demoniza os funcionarias públicos, “esses preguiçosos”, e apresenta um pacote de “racionalização” da Administração Pública. Estimula os ressentimentos continentais em relação à autonomia madeirense, qualificada de “gastadora”, e marcha para uma tentativa de controlo político dessa região autónoma.
As reacções violentas de professores, autarcas, funcionários ou de Alberto João eram previsíveis e até desejadas: só reforçam o estatuto de Justiceiro, imagem de marca do líder do Executivo.
E óbvio que esta imagem só é possível dado o desprestígio das lideranças sindicais, a inconsequência do associativismo autárquico e a ausência de um discurso de Oposição perceptível, credível, consistente. A Esquerda marxista-leninista e trotskista agita-se, mas nunca será levada a sério. O CDS está em prolongado “estado comatoso”. O PSD só aparece numa lógica “politicamente correcta”, vivendo do gozo contemplativo do elogio de comentadores que já não influenciam ninguém.
É lastimável que o PSD não tenha opinião formada sobre querela entre Poder Local e o Governo. É indesculpável que, liderando o PSD a larga maioria das Câmaras, não reúna o seu Conselho Nacional para discutir a Lei das Finanças Locais. É inexplicável que não tenha ainda apresentado um projecto alternativo. Se há matéria a exigir um pacto de regime era esta. O PSD dá uma no cravo e outra na ferradura, ficando no pior dos limbos. Não se quer comprometer com um Poder Local “desprestigiado”, mas sente-se na obrigação de um tímido protesto. Não quer ferir os “opinion makers” que detestam os autarcas, mas sente-se na obrigação de os confortar com cartas simpáticas e inócuas. Nada faz para salvar o doente, mas financia o funeral e paga às carpideiras. O PSD tinha de, nesta matéria, fazer a diferença. Apresentar as suas ideias. Solidárias com o esforço de contenção orçamenta? Sem dúvida. Mas com o modelo alternativo de Administração Pública Local, dando novo ímpeto a reformas anticentralistas e modernizadoras. Com este tipo de omissões, o PSD vê Sócrates a aguardar que os fundos comunitários, o encaixe das privatizações e o crescimento económico da Encapa resolvam o seu problema. Não é verdade que o Poder se perde e não se conquista. Ao contrário, o Poder pode ser conquistado. Com combate político sério e competente.


P.S. – “Dirty Harry”, interpretado por Clint Eastwood, um Justiceiro à americana.

Bem visto...

05 outubro 2006

O Cobrador de Fraque

O que se segue foi escrito por Luis Cirilo, no blog Depois Falamos. Poderia até parecer anedótico mas não é. Diz o seguinte: “A que vos vou contar a seguir é apenas mais uma das muitas histórias que fazem triste o presente do PSD. Conversava hoje com um presidente de junta de freguesia do PSD, eleito e duas vezes reeleito com maiorias esmagadoras, sem oposição externa e muito menos interna acerca das realidades da sua freguesia e do nosso partido. Foi então que ele me contou que, embora sendo novo de idade ainda é do tempo em que todos apreendemos que um dos deveres de um militante é trazer novos imitantes para fortalecer a base social de apoio do partido, resolvera filiar na sua freguesia mais militantes. Não por ele próprio precisar mas por entender que para o PSD era desejável ter mais gente na sua freguesia. Homem popular, com carisma, rapidamente filiou, com alegria, mais umas dezenas de pessoas, maioritariamente idosos (porque é essa a realidade da freguesia) mal supondo a carga de trabalhos em que se ia envolver. Os novos militantes, pouco familiarizados com cartões bancários ou cheques, na convicção de que dinheiro emitido pelo Banco Central Europeu valia em toda a Europa comunitária e até no PSD, pediram a quem os tinha filiado para proceder ao pagamento das cotas entregando-lhe, para o efeito, o dinheiro necessário. O nosso amigo sabendo que o PSD é a instituição mundial em que é mais difícil aos militantes, associados, devedores pagar o que devem, diligentemente lá foi comprar uns vales postais, preencheu-os com a letra mais bonita que conseguiu, deu-os aos novos militantes para assinarem e conscienciosamente lá os mandou para a sede nacional. Nomes bem preenchidos, moradas correctamente indicadas, sete dígitos no código postal, enfim tudo em ordem. Com surpresa, e indisfarçável revolta, passadas umas semanas recebeu-os todos, mas mesmo todos, devolvidos com a indicação de que ao abrigo do artigo não sei quantos, do regulamento não sei que, aprovado não sei onde, faltava um código (quase tão complicado como o da Vinci) para o pagamento poder ser aceite. É o ridículo total! O PSD não quer que os seus militantes paguem cotas. O PSD dificulta por todos os meios, com uma imaginação que seria bem melhor empregue no combate político ao governo, o normal acto de quem deve e quer pagar, pagar mesmo. Não tenhamos medo das palavras: É uma vergonha o caminho para onde o partido está a ser arrastado. Pior do que não querer receber é a argumentação usada. Para quem está de fora dá a nítida impressão de que qualquer militante do PSD vende a sua consciência, vontade e opinião a troco dos 12 € com que lhe pagam a cota!!! E para impedir esse "tráfico" de opinião é importante dificultar por todos os meios que um terceiro proceda ao pagamento. Estou no PSD (via JSD) desde Janeiro de 1975 e tenho a certeza que não é assim. No PSD os militantes são, como sempre foram, livres e não se vendem nem pelos 12 € da cota, nem por euros nenhum. É triste que o labéu da suspeita seja lançado pela própria direcção do partido com estes regulamentos absurdos e até ofensivos para todos nós. E depois ainda falam em "Pensar em Grande". Nota-se, até pelas sondagens! Sou do tempo, a que é necessário voltar, em que as cotas se pagavam nas secções ou até, em algumas delas, nos cobradores que procuravam o militante em casa ou no trabalho e que constituíam mais um precioso elo de ligação do militante ao partido. E que quantas vezes traziam opiniões, pedidos e sugestões. Agora, para os iluminados que congeminaram estes regulamentos, dinheiro não serve, são precisos cheques, ou pagamentos multibanco, para já não falar dos vales postais com o famoso código. Cada vez se cava mais o fosso entre militante e partido, cada vez se desumaniza mais a relação entre ambos, cada vez o militante sente menos o partido como coisa sua. Ao invés do que seria lógico, que era a cota poder ser paga na secção, distrital ou directamente á sede nacional, sempre mediante recibo que salvaguardasse os direitos dos militantes, assiste-se a um centralismo que faria António de Oliveira Salazar corar de vergonha. E atenção; parece que vem ai ainda pior em termos de autonomia financeira das secções... E isto num tempo em que secções e distritais tem de confiar totalmente na sede nacional em termos das verbas a receber oriundas das cotas, sem meios de controlarem se efectivamente o que recebem corresponde á percentagem das verbas recebidas pela sede nacional nos seus complexos mecanismos de cobrança. Com este PSD, com estes regulamentos e métodos, caminhamos aceleradamente para um tempo em que os militantes do PSD vão ter de contratar "O Cobrador do Fraque" não para cobrarem mas para poderem forçar a aceitação do seu pagamento. Que diria Francisco Sá Carneiro se visse o estado a que isto chegou...”

03 outubro 2006

Não preferem pedir ao Vaticano?

Dois turcos desviaram um avião em protesto contra a visita do Papa à Turquia. Caças gregos e italianos escoltaram o avião até ao sul de Itália, onde aterrou em segurança. As 113 pessoas que estavam a bordo estão a ser retiradas… A polícia italiana deteve ao início da noite desta terça-feira os dois piratas do ar... Os dois piratas do ar, de nacionalidade turca, vão agora pedir asilo político a Itália (Portugal Diário). Como? Pedir asilo político a Itália? Não preferem pedir ao Vaticano?

Sondagens e resultados

Vedoin é o nome por que ficou conhecido o mais recente e grave escândalo que se abateu sobre Lula da Silva. Tratava-se de um esquema destinado a denegrir a imagem de candidatos adversários, através da compra e distribuição de determinados documentos. O ainda presidente manifestou-se chocado com a notícia e despediu, de imediato, o director da campanha, que era, ao mesmo tempo, um dos seus colaboradores mais chegados. O escândalo levou o presidente do Tribunal Eleitoral, Marco Aurélio de Mello, a afirmar que o chamado “dossier Vedoin” lhe parecia mais grave do que o “Watergate” que derrubou Richard Nixon. Apesar disso, o presidente Lula não corre esse risco. (António José da Silva, Primeiro de Janeiro)

Apesar de tudo

Apesar dos últimos resultados e das recentes exibições o Benfica continua a ser o clube português melhor classificado no Ranking da Federação Internacional de História e Estatística do Futebol. Menos mal… Mas não chega.

02 outubro 2006

Esperar para ver

O Portugal Diário notícia hoje que Cavaco Silva «foi sensível» às queixas da Associação Nacional de Municípios sobre a nova Lei das Finanças Locais. Não sei bem porquê mas algo me diz que essa sensibilidade não será suficiente no acto de promulgação da lei.

Para pensar...

É um erro popular muito comum acreditar que aqueles que fazem mais barulho a lamentarem-se a favor do público sejam os mais preocupados com o seu bem-estar.
Edmund Burke

Isaiah Berlin

I came to the conclusion that there is a plurality of ideals, as there is a plurality of cultures and of temperaments. I am not a relativist; I do not say ‘I like my coffee with milk and you like it without; I am in favour of kindness and you prefer concentration camps’ – each of us with his own values, which cannot be overcome or integrated. This I believe to be false. But I do believe that there is a plurality of values which men can and do seek, and that these values differ. There is not an infinity of them: the number of human values, of values which I can pursue while maintaining my human semblance, my human character, is finite – let us say 74, of perhaps 122, or 26, but finite, whatever it may be. And the difference this makes is that if a man pursues one of these values, I, who do not, am able to understand why he pursues it or what it would be like, in his circumstances, for me to be induced to pursue it. Hence the possibility of human understanding.
I think these values are objective – that is to say, their nature, the pursuit of them, is part of what it is to be a human being, and this is an objective given. The fact that men are men and women are women and not dogs or cats or tables or chairs is an objective fact; and part of these objective fact is that there are certain values, and only those values, which men, while remaining men, can pursue. If I am a man or a woman with sufficient imagination (and this I do need), I can enter a value-system which is not my own, but which is nevertheless something I can conceive of men pursuing while remaining human, while remaining creatures with whom I can communicate, with whom I have some common values – for all human beings beings must have some common values or they cease to be human, and also some different values else they cease to differ, as in fact they do.
That is why pluralism is not relativism – the multiple values are objective, part of the essence of humanity rather than arbitrary creations of men’s subjective fancies.
Isaiah Berlin in “My Intellectual Path”

29 setembro 2006

Qual é a novidade?

“Barómetro - PS em alta, Sócrates também. O PS está em alta e muito perto da maioria absoluta, ao subir para os 46 por cento de intenções de voto, indica o Barómetro DN/TSF/Marktest, com o PSD a descer. José Sócrates e os restantes líderes de Esquerda também subiram, com Cavaco Silva a ficar novamente acima dos 50 pontos de popularidade”. (notícia completa da TSF)

Infelizmente, é assim

Maria José Nogueira Pinto, presidente do Comissariado para a Reabilitação da Baixa/Chiado, defendeu um “modelo de excepção” para o Plano de Reabilitação daquela zona de Lisboa, de forma a acelerar os procedimentos necessários. Pode parecer anedótico mas é a única maneira de as Câmaras Municipais fazerem obra em tempos razoáveis. Sem formas de excepção, esbarra-se na excessiva, rígida e atrofiante legislação que temos. Uma legislação pouco ou nada flexível sendo a burocratização uma das suas consequências. E ainda há quem defenda a necessidade de se legislar mais. Valha-nos Deus.

Entre as 34 melhores marcas

A Superbrands, organização independente que funciona em 45 países, considerou o Benfica uma das 34 Marcas de Excelência existentes em Portugal. Rodrigo Correia, responsável da Superbrands, afirmou que "é a primeira vez em Portugal que um clube de futebol surge nesta lista". Mas o mais surpreendente, nas suas palavras, é o facto de "apenas o Real Madrid, a Juventus e o Inter de Milão conseguiram, até hoje, esta distinção nos outros países em que realizámos esta iniciativa".

28 setembro 2006

A frase de...

Luciano Amaral, hoje no DN: dizem que é “a educação que vai resolver o problema económico português. Nós podemos pensar que a educação é uma coisa muito linda e muito excelente. Podemos pensar que é uma maravilha ter taxistas (como os cubanos) com mestrados em astronomia, ou prostitutas (como as cubanas) licenciadas em resistência dos materiais. Mas (como a economia cubana de resto mostra gritantemente) não é essa avalanche de qualificados que faz um país rico. Em 1966, a nossa mão-de-obra era muito menos qualificada do que hoje e crescíamos a taxas de cerca de 7% ao ano. A China tem muito menos gente qualificada do que nós, mas isso não a impede de crescer cerca de 10% ao ano”.

Enfim...

Na campanha eleitoral para a Presidência da Venezuela, Hugo Chávez está a utilizar nos seus cartazes eleitorais uma fotografia de um encontro com José Sócrates com a legenda “Rompendo o bloqueio. Venezuela é respeitada!”. Esta situação traouxe-me à memória o que Cavaco Silva fez a Santana Lopes. E José Sócrates? Estará incomodado? Face à reacção oficial (“o Governo português não tinha conhecimento… não tem qualquer comentário a fazer”), parece-me que não. Enfim...

Ainda a proposta de lei das Finanças Locais

São bem conhecidas as objecções que a proposta de lei das Finanças Locais tem levantado. É bem conhecida a oposição que a generalidade dos autarcas lhe tem feito. São conhecidos alguns pareceres que a declaram inconstitucional, nomeadamente de Marcelo Rebelo de Sousa e Diogo Leite de Campos. No Correio da Manhã de hoje, Luis Filipe Menezes escreve, e bem, que “a proposta de lei das Finanças Locais é uma oportunidade perdida para o País. Não aproveita a oportunidade de reequacionar o papel das autarquias, promovendo um novo surto descentralizador”. E o PSD? Que posição tem assumido? Continua Menezes dizendo que “é um acto de enorme miopia política o PSD andar entretido em jogos de futsal, de que são exemplo os pactos de regime, enquanto o PS joga um futebol para homens de barba rija e que tem a ver com a afirmação do seu poder efectivo. Talvez seja uma afirmação do seu poder efectivo. Talvez seja uma pequena perversão, mas sem conquistar o poder e sem o saber conservar não há projecto político concretizável. Mandava o bom senso que o PSD, largamente maioritário nas lideranças municipais, cerrasse fileiras contra tão iníqua iniciativa. Mandava o bom senso e a clarividência política”. Não poderia estar mais de acordo.

27 setembro 2006

Lenços brancos

Benfica 0 – 1 Manchester. O resultado poderia até não surpreender, dado o valor do adversário e a forma como o Benfica tem jogado ultimamente. Fica, no entanto, o sabor amargo da derrota. Que, na minha opinião, se deve ao facto do treinador do Benfica – Fernando Santos – não ter sabido ler o jogo, ter sido péssimo nas substituições e não ter conseguido – se é que tentou – motivar a equipa durante o jogo.
No entanto, não estamos perante uma grande surpresa. No dia em que foi contratado escrevi aqui que, muito provavelmente, Santos não estaria à altura de um clube como o Benfica. Espero que o futuro próximo não me venha a dar razão. Da noite de ontem fica o regresso dos lenços brancos. Será para durar?

25 setembro 2006

Desenvolvimento e modernidade

Li hoje num jornal que, dentro de dez anos, Luís Filipe Menezes pretende ter o centro histórico de Gaia totalmente recuperado e, assim, trazer para essa zona 6.400 novos habitantes e 2.900 postos de trabalho. Conheço o trabalho que o autarca de Gaia tem feito naquele concelho e não duvido que consiga concretizar este ambicioso projecto. É pena que também do outro lado do rio, no Porto, não se consiga imprimir esta dinâmica de desenvolvimento e de modernidade. Basta dar um passeio pelo belíssimo Cais de Gaia e olhar para a outra margem para o perceber. É pena.

Contado, não acreditava

O facto tem já uma semana mas não gostava de o deixar passar ao lado. Faz hoje uma semana que Marques Mendes, assinalando o início do ano lectivo, se deslocou a uma escola do Primeiro Ciclo do Ensino Básico. O diálogo que manteve com as crianças foi o seguinte:
Marques Mendes: Sabem quem eu sou?
Crianças: Não!!!!
Marques Mendes: Pois bem, não vêem o Contra Informação? Eu sou o Ganda Nóia.
Se não tivesse visto as diferentes notícias que, nessa segunda feira, passaram na televisão, dificilmente acreditaria que este diálogo alguma vez tivesse existido. Com saídas destas, percebo cada vez melhor a razão pela qual Marques Mendes não consegue descolar nas sondagens.

Ainda a EPUL

Julgo que não tenho andado distraído. Foram precisos não sei bem quantos dias/semanas para que a comunicação social, finalmente, escrevesse sobre o que está na origem da novela EPUL. A realidade é que nem Santana Lopes nem Carmona Rodrigues tiveram conhecimento / responsabilidade pelos contratos estabelecidos entre a EPUL e os seus directores nem pela elaboração dos estatutos da empresa. Como adianta hoje o Correio da Manhã (também o Expresso o tinha referido) “só no tempo de Sequeira Braga, secretário de Estado dos Transportes do primeiro governo de Cavaco Silva, foram criados os referidos cargos de administração. Mais tarde, Santana Lopes discordou da gestão de pessoal da EPUL, facto que levou à demissão de Sequeira Braga em 2004. Mas o problema manteve-se porque não era possível despedir os administradores. Se tal acontecesse, estes tinham direito a grandes indemnizações e a reintegração no lugar de origem”.

Protocolo de Estado

Entrou hoje em vigor a primeira Lei do Protocolo de Estado, aprovada pelo PS e PSD e com os votos contra do PCP, BE, PEV e do deputado social-democrata Quartim Graça. Devido à exclusão da Igreja Católica o CDS/PP optou pela abstenção. No artigo 7º, a lei estabelece a hierarquia e o relacionamento protocolar das altas entidades públicas. Curioso é o facto dessa hierarquia contemplar 58 entidades, ocupando os Presidentes de Câmara apenas a 41ª posição. Não sentem curiosidade de saber quem são as primeiras quarenta?

Para mim não é surpresa

Escrevi em tempos que o PSD Setúbal tinha eleito para seu presidente uma pessoa com muito valor: Bruno Vitorino. Posteriormente, já aqui dei nota de algumas das suas medidas que relançaram o PSD no distrito. Pelo que li hoje no Rostos, Bruno Vitorino continua a traçar o seu caminho e a transformar o PSD num partido mais activo num distrito complicado. Parabéns.

Dia Mundial do Coração

A Praia de Santo Amaro de Oeiras foi ontem o palco das comemorações nacionais do Dia Mundial do Coração, numa parceria da Fundação Portuguesa de Cardiologia com Câmara Municipal de Oeiras. Muitas actividades e diferentes tipos de rastreios reforçaram a importância da prática de exercício físico e de estilos de vida activos. Foi bom ver a enorme adesão que esta iniciativa recolheu. Centenas de pessoas, eventualmente milhares, passaram por Oeiras e disseram sim a uma vida mais saudável.

24 setembro 2006

Bem visto

Inadvertidamente ou não, o Papa não disse nada sobre o Islão que nenhum ocidental não pense (Miguel Sousa Tavares, no Expresso).

Ingenuidade minha: quando me disseram que Bento XVI estava envolvido em polémica com o Islão radical, eu acreditei que o Papa tinha denunciado publicamente a situação humilhante em que vivem os cristãos no mundo islâmico. Admito, que no “Ocidente” (expressão ofensiva, eu sei), alguns muçulmanos se sintam “desconfortáveis” com o preconceito alheio. Mas é justo dizer que, na maioria do Islão, os cristãos não sentem preconceito alheio. Normalmente, sentem apenas cadeia, tortura e morte por blasfémia ou apostasia (João Pereira Coutinho, no Expresso).

Há uma coisa que me leva a não gostar de Sócrates: o facto de, volta e meia, Luís Delgado dizer bem dele (resposta de Ricardo Araújo Pereira, no Sol, à pergunta Concorda com a teoria de que José Sócrates, politicamente, é um irmão gémeo de Cavaco?).

O Estado já sabe quantos funcionários tem. Os números só podem impressionar: 737.774 funcionários na Administração Central, Local e Regional, mais 4,2% do que os valores apurados em 1999 (jornalista António Costa no Sol).

Ou se emagrece a Administração Pública em 200 mil funcionários ou será obrigatório congelar os salários e as progressões automáticas do Estado durante os próximos cinco anos (defesa de Nogueira Leite no Compromisso Portugal – publicado no Sol).

Os promotores do Compromisso Portugal defendem que o pacto da justiça, celebrado entre o Governo e o PSD, peca ausência de medidas no âmbito da reforma do processo civil e alterações ao nível das custas judiciais (defesa de Vieira de Almeida no Compromisso Portugal – publicado no Sol)

A Economia portuguesa ainda não interiorizou, verdadeiramente, os princípios da concorrência (jornalista António Costa no Sol).

Até quando?

Passou mais de um mês desde o meu regresso de férias. Apesar de muitos dos que visitam este blog me terem questionado sobre a ausência de posts e dos incentivos que me deram para reiniciar este projecto o certo é que, durante este período, diversos factores levaram a que não actualizasse o “um tempo novo”. Falta de tempo, mais trabalho, outras prioridades pessoais e, também, devo dizê-lo, falta de vontade. É verdade. Falta de vontade e alguma decepção. Por diversas vezes senti-me tentado a recomeçar. Cheguei a dizê-lo a alguns amigos. Não aconteceu. Decidi recomeçar hoje, com um novo visual. Espero que continue a merecer as vossas visitas. Até quando? O tempo o dirá...

07 agosto 2006


Segundo dia de férias. É tempo de dar também férias ao "um tempo novo". Voltamos dentro de dias. Fica a homenagem àqueles que durante todo o ano, mas especialmente neste período, tudo fazem para evitar que manchetes como esta do Diário de Notícias possam existir: os nossos bombeiros.

“Nas últimas duas décadas e meia os incêndios devastaram uma extensão equivalente a um terço do território de Portugal. Um ritmo que deixa “invejosas” as chamas que desflorestam a Amazónia. Nestes ataques, o saldo tem sido tenebroso: dezenas de mortos, milhares de casas calcinadas e a destruição de pinhais, eucaliptais e montados de sobro e azinho, com efeitos sociais e económicos aterradores. Jamais, na longa História de Portugal, de guerras intermináveis e batalhas sanguinárias, um outro inimigo conseguiu o prodígio de tão rápida, fácil e dilacerante destruição”. (citado do livro “Portugal: O Vermelho e o Negro”, de Pedro Almeida Vieira).